Fuçar

quinta-feira, 2 de junho de 2011

SABONETE OU LUXÚRIA



Era sexta.


Tomamos um belo banho pra sair.


Nosso primeiro encontro.


Mas não saímos.


Ficamos!


Juntos!


No carro!


O primeiro beijo quem deu foi ela.


Eu sofro, nunca sei a hora.


Perguntamos os nomes, a idade e profissão.


Conversamos sobre Deus e o Diabo.


Meu passado e minha intenção.


Ali o papo fluiu e esgotou.


Subimos as escadas.


No gás!


Entramos no APÊ.


E com carinho e carícias,


Consumamos o amor que nos consumia.


Depois fizemos promessas e juras.


Resolvemos sair.


Descemos as escadas.


Fugaz!


Saímos de carro.


E de carona, no banco de trás.


Uma grande dúvida:


Será que estamos cheirando SABONETE OU LUXÚRIA ????

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sobre a saudade









Da pele, o gosto.


Na boca, um enrosco.


E agora? 


O que fazer?


Vou fugir . . . pra que?


PRA QUEM?


Prefiro ficar,


E me entregar de alma,


À saudade fria que tomou o seu lugar.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Vai trabalhar vagabundo



Notei que algo pingava em meus olhos. Sangue? Pensei!. 

Era dia já. Senti pelo sol forte no meu rosto.

Deduzi de maneira absolutamente lógica: Deus, me fizeste cego para provar a mim mesmo que de nada serve enxergar. Devo fazer sua vontade.

Prossegui o dia, cego!

Batia nas paredes, nos móveis, nos bichos e nas pessoas.

Era certo que não conseguiria. Mas Deus não me daria um fardo tão pesado se não pudesse carrega-lo.

Carreguei-o, durante uma hora. Pela segunda hora. Pelas horas que se prosseguiram.

Quando encontrei o portão que dava para a rua, veio se esguelando, meu irmão. 

Questionando-me sobre o porque do sumiço. Estavam quase chamando a"puliça".

Eu disse: Irmão, estou cego. Mas não se aflija. Acordei de manhã e havia sangue em meus olhos. Não pude ir ao trabalho, mas esta é a vontade de Deus. Regozijai-vos (adoro essa palavra)!!!

Meu irmão, como um bom irmão deve fazer, me socou a cara com força e rapidez "bruceleeânica" e com a mangueira atirou água em meu rosto, dizendo em tom de sarcasmo.

- Se Deus te queria cego meu irmão, deveria ter no mínimo trocado o ketchup vagabundo por mostarda preta.

Agora toma vergonha, lava esse rosto e vai trabalhar vagabundooo!!!

Moral da história: Ser cego fica muito mais fácil quando não se quer abrir os olhos. Convém!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Sobre mulheres e cães





Do cachorro me faz falta o pêlo duro, da mulher o macio cabelo escuro.


Na cozinha ela me dava um cheiro, enquanto o cachorro estragava todo o canteiro.


Nos olhos do dog era pura alegria, nos da mulher uma alegre melancolia.


Os dois com o mesmo brilho de criança no olhar.


Ela mal humorada e ele um picareta de presa afiada. 


Sinto muita falta da cavalgada noturna em volta da casa, enquanto do quarto ela gritava: PÁRAAAA!!!


Ele nunca à obedeceu, seu chefe era eu. Não digo o mesmo dela, pois na casa do charmoso quem mandava era a donzela.


Faz falta a sujeira do cão pela casa, e a mulher com a vassoura na sala.


Sinto falta das pequenas lembranças. 


Substituídas pouco a pouco por gotas de esperança.


Esperança de um dia ficar com a mulher, com o cachorro e quem sabe as crianças.


FIM

Sobre pessoas e dentes





Não acredito em pessoas. 


Acredito em dor de dente!


Ela não te trai, nem tão pouco atrai.


Ela é direta, fria e implacável. Todos sabemos de sua eminência.


Diferente das pessoas, não criamos expectativas quanto a ela. Ela simplesmente acontece.


E quando acontece, arrancamos o dente.


E pronto. 


Resolvido!


Na pior das situações estaremos chupando um delicioso sorvete no fim.




Mesmo assim ainda tenho uma queda pelas pessoas . . .

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Em uma triste manhã de segunda . . .




Era um dia comum. Era manhã. Fazia sol.

Logo a frente uma pessoa diferente. Era estranha. Parecia feliz.

Achei estranho que logo pela manhã uma pessoa pudesse estar feliz. Mas estava.

Até a roupa era colorida. Senti inveja.

Notei que no trem as pessoas estavam todas descontentes, como eu, é claro.

Toda a situação logo transformou o trem em um tribunal.

Tornamos-nos testemunhas, júri, juiz e carrasco. Só não existia ali “adevogado”.

ACUSAÇÃO: FELICIDADE FORA DE HORA.

Indagamos o réu quanto ao motivo. Respondeu: A vida.

Protesto, gritou o promotor. Vida não é motivo para felicidade, concluiu.

O juiz olhou para o réu e com um suave movimento de cabeça, consentiu com a promotoria. Prossiga, disse o motorista (digo, o juiz).

O promotor repetiu a pergunta indagando-o sobre o motivo da felicidade.

Respondeu ele: Meu nome é Pedro, tenho 33 anos, bem empregado, saudável, livre e tenho um marido que eu amo! Tudo o que preciso. Muito obrigado!

Por alguns momentos o tribunal se calou (metade do júri já havia decidido).

Gay? Perguntou friamente o promotor.

Sim! Respondeu firmemente o réu.

O promotor olhou para o júri, para as testemunhas, e finalmente para o juiz. Que com um sussurro respondeu: Lavo as mãos!

Veio a decisão do júri:

“Em épocas como a nossa, em que tantos problemas nos afligem. É simplesmente inaceitável que ainda tenhamos que nos preocupar com tais comportamentos. Espera-se que nos dias de hoje, após tudo que vivemos. Que os seres humanos tenham o mínimo de decência e não expressem suas vontades pessoais e seus sentimentos mais sinceros. Pois estes, como comprovado no passado, vão contra tudo o que prega e acredita nossa querida e idolatrada pátria e nossa mãe igreja. Atrapalhando assim, a ordem e o progresso, tão estimados por nós. É fato. Somos todos chatos, reprimidos e descontentes. Esperamos que ninguém tente ser diferente. O júri condena o réu a morte. Que a decisão sirva de exemplo a outros. E que Deus abençoe os Estados Unidos do Brasil.”

O réu, cercado pelos carteiros e empresários (digo, carrascos), foi agarrado e imobilizado. E, logo depois atirado para fora do trem em movimento.

Agora todos aos seus lugares, calados. De volta a vida normal.

E em cada boca, um tímido sorriso.

Pois é claro, todos tem direito a um pouco de felicidade logo pela manhã.



Ps: Quero muito acreditar que tudo isso é fruto da minha imaginação.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A parede e o perdedor



...um pingo de chuva caiu bem no seu nariz enquanto passava por baixo de um toldo na Rua Elm, achava que seria um dia comum como todos os outros, um dia chato!
Caminhou por mais ou menos uma hora e trinta e sete minutos fugindo da nuvem de chuva que o perseguia, até que chegou ao fim.
Ficou abismado, nunca havia visto uma parede tão grande. Mas mesmo assustado com tamanho monumento, só podia pensar em como atravessaria aquele colosso. Disse: - Por Deus, só pode ser o muro que divide a terra do paraíso, com este tamanho só pode ser pros malandros não pularem, mal sabe o senhor que os caras agora estão usando granada e dinamite, bobinho...
Olhava o muro de cima a baixo. Só tinha duas opções: atravessar a parede ou...atravessar a parede.
Caminhar uma hora e 37 minutos pra ter que voltar tudo outra vez, que “ser” em sã consciência faria isso, perder uma hora e 37 minutos de vida não era pra ele...
Escolheu a melhor das duas opções, “Atravessar a parede!”
Buscou no fundo de sua memória, vasculhou em todos os cantos de sua maquina cerebral uma maneira de chegar ao outro lado, o pobrezinho não tinha uma dinamite.
De repente, um lâmpada surgiu em cima de sua cabeça e um grande sorriso entre seus lábios, lembrou dos filmes do McGiver, montou uma bomba relógio com seu maço de cigarros e sua caixa de fósforos, ah, e seu relógio digital. Acontece que programou o cronômetro errado e quando foi levar a bomba até a parede...BUUUUUMMMM!!! Perdeu um dedo da mão.
Ok, o idiota se recompôs, pegou seu dedo morto e guardou-o dentro do bolso.
Olhou em volta, não vinha ninguém para lhe ajudar fazendo cavalinho, lembrou então que na mesma semana havia assistido ao ultimo dvd do Cirque du solei e resolveu imitar a contorcionista, iria tentar fazer um cavalinho a si mesmo. Infelizmente não deu certo, quebrou o pé e um fio de costela.
Por um instante pensou em desistir, mas não, não com ele, tinha que tentar pelo menos mais uma vez.
Recorreu novamente à fertilidade de sua mente e lembrou do curso de budismo que comprou pela internet, R$69,99 no mercado livre.
–O espírito pode se desprender do corpo se houver um alto nível de concentração. Ou o corpo pode se desprender do espírito? Acho que tem alguma coisa haver com uma banda de rock paulera...merda!
Resolveu colocar em prática seus conhecimentos, sentou no chão em posição de lótus, fechou os olhos e se concentrou por looooongoooos e inteeeerminaaaaaveis 4 minutos e meio. Levantou ainda com os olhos fechados, se afastou da parede, respirou fundo, e correu o mais rápido que pode em direção a ela...
Agora caído no chão com o nariz quebrado e sem um canino olha para o céu perguntando a Deus porque colocar tamanha provação em sua frente. Esperou alguns minutos deitado, refletindo sobre sua falta de sucesso.
Levantou, olhou em volta novamente, admitiu que era um perdedor, deu a volta na parede e foi embora...
André de Moura

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Para uma menina sem um dedinho



Porquê você é uma menina sem um dedinho e é a melhor bailarina do mundo, eu lhe prometo amor eterno.


Não pelo fato de você ser bonita e tal, mas pelo fato de conseguir tocar a vida adiante, mesmo sem o dedinho.

Você é uma matraca, e sorte sua não ser uma menina sem a língua.

Por falar em língua, foi você que me beijou primeiro no nosso primeiro encontro, e por isso eu te amo, porque se não, nunca teria lhe beijado. Não pelo fato de eu ser covarde, mas é que eu nunca soube a hora certa de beijar alguém. Aprendi com você que não existe hora certa pra beijar.

Aprendi a te amar e hoje eu sei que de todas as mulheres que amei, tu és sem sombra de dúvida o fruto do meu amor maduro. Pois você é a única com quem me imagino limpando cocô de cachorro em uma manhã de domingo e cortando a grama do quintal (ou pagando alguém para fazê-lo).

E por você ser uma menina sem um dedinho, eu sei que por mais que você corra de mim eu ainda vou te alcançar. E se isso não acontecer, tenho a certeza absoluta de que você vai me esperar em algum boteco e pedir uma cerveja bem gelada pra me esperar.

Não tenho medo de te perder, nenhum pouco. Pois já guardei os nossos momentos no mais intimo do meu coração, e que por mais que você encontre outros amores, você foi minha por toda eternidade que durou o nosso amor, e isso é só meu.

Você é uma menina sem um dedinho que conquistou meu coração. Só podia ser você. Pois no meio da multidão você era a única menina sem um dedinho, com os cabelos escorridos e vestida de azul.

Você já é a mãe dos meus filhos e dos meus cães, a nora da minha mãe, a cunhada da minha irmã e a sobrinha neta da minha tia avó. Você já é a mulher que eu sempre quis, a que eu sempre amei e com quem eu quero passar o resto da vida.

Você é única, especial e imperfeita.

Você fala demais, você é brava e geniosa.
Você é linda, inteligente e cativante.

Amo você por todos os seus adjetivos!

Mas especialmente porque você é uma menina sem um dedinho, que consegue ser a mais completa de todas e que faz de mim o homem mais feliz do mundo.
P.S.: Eu vou tentar sempre te amar!

sábado, 16 de agosto de 2008

Sobre como as coisas acontecem



. . . importante não é o fato, inevitável, inesperado, e repentino. Mas onde esses fatos nos levam.Estar simplesmente parado em algum lugar pode levá-lo a conhecer o amor de sua vida. Ou então ser atropelado por um ônibus (por isso, pare sempre na calçada).

As coisas geralmente acontecem quando menos esperamos. As pessoas morrem de repente, perdemos o emprego no meio das prestações do carro, ou perdemos a ponta do dedo em tropeços pela rua.

Mas coisas boas também acontecem. Como alguém que aparece, quase sem querer, e deixa o dia mais feliz, ou ganhar um sorriso da moça bonita que sempre passa em frente a sua casa.

Como diria Joseph Climber, a vida é realmente uma caixinha de surpresas. E é de vital importancia estar preparado para tais.

Coloque-se pronto a encarar o que a vida te dá, desde o desemprego aos amores mais impossíveis. Desde o primeiro milhão de dólares aos atropelamentos quase fatais.

E lembre-se, que apesar de tudo que possa acontecer, sempre existirá uma luz. E junto com ela algum filho da puta disposto a desligar o interruptor, então, fica esperto e deixa rolar. . .

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

I'm not there...


... E foi quando abri os olhos e você estava lá. A única pessoa que poderia me dizer o que era certo ou errado. Mas você nem ao menos falava.

Eu era como uma criança, a vida pra mim era um palco e eu só queria brincar, correr pelado por aí. E você entendia isso.

Mas as outras pessoas me olhavam como se eu fosse diferente, como se eu tivesse que abrir mão das coisas que me faziam feliz.

Não me arrependo de ter mentido que ia estudar e ir nadar no rio, nem de ter fumado meu primeiro cigarro escondido. Arrependo-me muito menos dos porres que tomei ou de ter escrito com coco pelas paredes do banheiro (ok, disso eu me arrependo um pouco) (só um pouco).

Aprendi a ignorar essas pessoas, e a ignorar as perguntas que sempre me rodearam, perguntas geralmente sem respostas.

Que pessoa eu teria sido se não tivesse feito essas coisas ? Que ruma minha vida teria tomado se eu não tivesse matado aula na quinta série ?

E a resposta está aí. Você!

Você é a resposta pra todas as minhas perguntas. Você calou todas as minhas dúvidas.

E agora eu sei, que desde o momento em que abri os olhos, você sempre esteve lá, me esperando.
Sempre quis que alguém fizesse alguma coisa por mim. Não percebi que eu mesmo poderia ter feito.

Meus olhos estão pesados agora, acho que é sono.

Só queria que você soubesse, que de tantos os caminhos diferentes que eu poderia ter tomado, todos me levariam a você.

E que de todas as pessoas que eu poderia ter sido, fiz o máximo que pude pra ser a melhor pessoa de todas, por você.

Eu sempre estarei com você!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Sobre a ausência dos polegares




Talvez arrebentar a cabeça contra a parede fosse a melhor solução. Já que a ele só restara a parede da construção abandonada.

Tinha 4 dedos em cada mão, os que faltavam eram os polegares.

Deus não poderia ter escolhido forma melhor de lhe foder.

Inimaginável viver sem os polegares, já que estes, como todos sabem, têm a função de pinça.

Talvez o ser humano pudesse viver sem qualquer outra parte do corpo, até sem um cérebro, mas os polegares?! Era castigo demais para uma pessoa só, e em uma vida só!

Seu maior sonho, desde os 12 anos era que a ciência pudesse inventar polegares robóticos, para que ele pudesse novamente retomar sua vida, como homem que achava que era.
Mas o ano era 2.079, já haviam descoberto a cura para a maioria das doenças identificadas, resolvido os problemas de aquecimento global, e todas as pessoas eram iguais entre si (menos as que não possuíam polegares). E por incrível que pareça a busca da ciência pela recuperação de polegares estava para aquela geração, assim como a cura da AIDS para os anos 90.

A depressão já era tanta, que o tal passava os dias afogando as magoas “polegáricas” em copos de Coca-beer (versão alcoólica da coca). Já perdera, mulher, filhos, cachorro robô. Tudo que lhe importava. Até seu fusca, ele havia batido.

Decidira então por um fim a todo aquele sofrimento. Mas como? Eis a questão.

Arrebentar a cabeça na parede? Talvez. Mas a parede poderia ceder e iria doer pra caralho.

Tiro na cabeça? Ótima idéia!

Você não tem polegar idiota, isso pode atrapalhar.

Mas espere...

É, é isso.

Decidido! Pega a faca lá!

Isso. Põem a mão na mesa. Agora corta.

Não, todos não. Um por um. É mais seguro.

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George não conseguiu o polegar, ao invés disso amputou todos os outros dedos. Aposentou-se por invalidez e recebeu uma bolada de indenização das industrias Coca-cola, alegou estar sobre efeito da bebida quando cortou fora todos seus dedos

George vive feliz com a família em algum lugar ao sul.

George restaurou a velha parede...

... e comprou um fusca 67.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

La despedida



Manhã escura, não pela chuva, mas pela massa quase viva de poluição que cobria São Paulo. O que por um lado antiecológico, e não muito saudável, dá certo charme a cidade.

A multidão das ruas traz, além de certa fobia, conforto. Pois o grande número de pessoas diferentes (estranhas) dá a nítida sensação de normalidade.

A massa viva de poluição, na verdade, escondia uma chuva das boas. Dessas que limpa o céu, e podem imaginar a proporção da chuva pra limpar o céu de São Paulo.

Em meio à chuva, as vidas continuam, e as ruas ainda lotadas. Tantos encontros e desencontros, em meio a batedores de carteira.

Uma despedida se destaca. Mas que vida não merece destaque? Essa é uma escolha que cabe a mim, neste momento. Logo, essa despedida se destaca.

As personagens: Mulheres. Duas. Lindas. Doces.

Uma não era daqui, mas aqui morava por opção. Outra era daqui, mas aqui deixava de morar, por opção.

As semelhanças? A amizade e a doçura feminina, sem contar as personalidades, fortes. Duas fotógrafas!

Era a despedida da amiga, de São Paulo, da vida por ali. O destino: Buenos Aires.

Outra semelhança era o gosto por chá e bolinhos. E que despedida melhor, se não com chá e bolinhos?!

Lipcia não é daqui, mas é quem fica. Mary é daqui, mas é quem vai.

Lipcia: - Na minha casa ou na sua?
Mary: - De preferência na sua, quem vai embora sou eu e não quero bagunça.

Parada na padaria pra comprar bolinhos e bolachas, além de outros quitutes pra enfeitar mesa.

4:47 da tarde. Água fervendo, apartamento cheirando limpinho (detalhe pra sujeira embaixo do tapete), e na janela a chuvosa batendo.

As fofuras na cozinha, o chá tava pronto, um minuto de silêncio. A hora da despedida chegando...

Uma coisa faltava. Mary filha de espanhóis, Lipcia Boliviana. Uma ultima conversa em uma língua mais caliente, pra rebater a chuva?!
Hablaram la noche toda!

Comeram bolinhos e tomaram seu chá ouvindo o barulho da chuva, que delícia.

Enfim, o fim. O adeus sempre chega.

Um abraço, uma fotografia, quase um filme. No mínimo uma história, um roteiro.

– Gracias Mary, por todo.
– Cala tu boca Lipcia. Amo te.

Tchau!



André M.
(Para Lip)

domingo, 30 de setembro de 2007

Sobre despedidas, novelas e conflitos mundiais.


...tavez se nossos corações não fossem tão covardes, saberiamos a hora certa de dizer adeus.


Adeus!


Palavra fria. Melhor do que dizer : - Aodiabo!


Quer dizer, melhor em termos, dizem que o diabo é o pai do rock, e o rock não morre nunca. Isso quer dizer que o rock nunca vai dizer "adeus" e sim "aodiabo". Confuso! Mas se o Diabo é o pai do rock, ele deve ser um cara legal. Aposto que não concordou com algumas regras idiotas e excomungaram o coitado. Assuntos divinos, celestiais que não cabem a nossa divindade terrestre.


E deixando deus e o diabo na terra do sol, e tudo o que resta é resto, como diz um amigo: - Tudo o que respira conspira!


Se até o papa que é mais chegado de deus, é pop. Logo toda forma de poder é uma forma de morrer por nada, se nada é o que podemos fazer.


Tem dias que a vontade é de mudar o mundo, mudaaar o mundooo!PORRA! Mas tem dias que eu não mudo nem de cuéca, como é que eu vou mudar o mundo?!


Quem me dera ter nascido Che guevara. Forte, revolucionário, convicto. To mais pra Lula, ex-revolucionário, sem convicção nenhuma e começando a beber demais (Deus ajude que eu não perca nenhum dedo) (a não ser que um dedo seja o preço da ignorância) (eu não sei de nada).


Tal qual a presidência a vida é complicada, e as vezes, não nego, é melhor não saber de nada. Mas mesmo tentando esconder de nós mesmos que não sabemos, é aí que mora o perigo, pois o inimigo é interno.


O meu maior inimigo (tirando George "war" Bush) sou eu mesmo. Mas eu prefiro enfrentar o George War do que a mim mesmo, por isso, meus encontros comigo mesmo são tão raros, e acontecem por vezes em cadeira de dentista.


Mas ao invés de tentar resolver meus conflitos internos e depois partir para a escala dos conflitos mundiais, me preocupo primeiro com problemas colossais. Talvez pra esquecer que meu mundo particular é tão imperfeito quanto o mundo real em que vivo. E que dentro de mim existem vários Georges Wars, vários presidentes Lulas e também vários Ches.


Estou no aguardo de descobrir o Neo que há dentro de mim, e então poder desvendar os mistérios da matrix.


Não que isso seja importante é claro. Pois o maior mistérios de todos eu já resolvi...



Eu sempre soube quem matou a Thaís !

sábado, 8 de setembro de 2007

Em busca de Novos Horizontes ...!


É hora de buscar novos horizontes, e desarmar nosso coração blindado. Desenterrar das bases de Guantánamo o nosso passado cinza, pois é através dele que chegaremos a luz. E por consequência, toda forma de poder será mais do que apenas a onda que arrebanta na praia, será uma chuva de containers no ar.

Até o alto a montanha é totalmente vertical, e durante o caminho teremos de juntar todas as pessas do quebra-cabeça, tomando cuidado para que as informações não sejam captadas pela parabólica dos inimigos. Apesar dos inimigos, não guarde magoas. Eu não consigo odiar ninguém, espero que vocês também não.

Não se esqueça de quem ficou, eu não esqueço nunca, pois no meio de tudo você e precisa sempre ser forte. Faz de conta que no teu rádio toca piano bar, isto vai te acalmar e vai lembrar dela com carinho.

Pra ser sincero acho que a luta valerá a pena, pois quando chegarmos lá no alto teremos nosso alívio imediato, e voltaremos a ser quem somos de verdade, e que esquecemos por muito tempo. Somos todos...



simples de coração!



(homenagem com carinho)

domingo, 15 de julho de 2007

A cerejeira.


...ela parece ter sido feita por Deus. Mas Deus sabe qual a sua origem?!

Por baixo da casca dura e grossa ela é simples, e tem medo. Os galhos grandes e tortuosos, que apesar da casca dura são confortáveis e bondosos, me dão sombra e me protegem do vento.

A psicodelia combinativa das suas cores é impressionante, o rosa está para o verde assim como o amor está para o ódio e o ódio para o amor. Um contraste conjugal perfeito.

Tudo nela dá a sensação de liberdade, e ainda assim ela continua lá, pregada no chão.

Todos sem excessão a adoram e ela retribui. E não importa o quão ridícula seja a dança que lhe é oferecida ela vai sempre sorrir, porque a oferenda mais importante para ela é a felicidade.

Tudo vai bem. Só que ela não fala.

Seus movimentos falam por si. Mas eu não sei ler seus movimentos, e por isso ela não me diz quais são seus reais sentimentos.

E mesmo assim ela me ensina, e eu aprendo.


E a cada dia, e a cada folha que cai, eu descubro em sua nudez todo o sentido de estar e de ser... Livre.!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Enquanto isso em um parque qualquer...



...E é convivendo com os diferentes que nos tornamos cada dia mais iguais.


Para mim todos os outros são rodas gigantes, eu sou uma criança perdida no parque. Elas são tão grandes, mas tem medos. Mas mais do que medo, elas tem vida, pois descem e sobem várias vezes, vêem o céu e o chão de perto e ouvem os gritos e o silêncio de quem as adimira e as teme.

No primeiro dia perdido foi tudo bem. As rodas gigantes falam e falam, mas falam com propriedade de quem vive lá em cima e aqui em baixo. Fazem a ponte entre nós e Deus. O Deus da verdade, se não o da verdade, o da tentativa.

Seremos rodas gigantes no dia em que descobrirmos como são valiosos nosso gritos e nossos medos. Pois aí sim nos daremos conta do valor do algodão doce em nossas vidas.

Para quem quer se tornar uma roda gigante o primeiro passo é andar sobre a perna-de-pau, no inicio as menores, depois as mais altas possíveis. E quando tivermos equilibrio suficiente para andar com a cabeça erguida por entre os palhaços, aí sim, aí sim estaremos prontos para sermos rodas gigantes.

Mas como no parque tudo acaba em festa, no fim da noite é distribuido pão doce e o circo começa. Ficaremos todos estáticos, rindo e comemorando, devorando insaciavelmente nossa maça do amor. Aqueles que não gosterem de pão e circo, sugiro que embarquem nas rodas gigantes, pois elas nos levam pra mais perto da verdade, ou pelo menos da tentativa...


...E é convivendo com os diferentes que nos tornamos cada dia mais iguais.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

A porcaria da pedra.


...Havia uma pedra no caminho. No caminho havia a porcaria de uma pedra. Onde tropecei, quebrei os 4 dentes da frente, arrebentei o dedão do pé esquerdo, e esfolei as palmas das mãos.
Mas nessa altura do caminho eu já estava cansado mesmo. A porcaria da pedra mais ajudou do que atrapalhou.
Quando eu estava sozinho a porcaria da pedra foi a única “coisa” que me ajudou. Deitou-me no chão quando eu estava cansado, fez eu sentir a dor física e esquecer que o meu coração havia se despedaçado.
Foi caído no chão que eu pude ver as coisas e o mundo de uma perspectiva diferente, com poeira nos olhos.
Foi vendo o sangue se esvair das minhas mãos que pude entender o real sentido da vida. E ela escapava gota a gota.
E foi ai, que decidi viver de verdade.

Superei os traumas, colei meu coração partido, fiz re implante dentário. Sou feliz.

Hoje vivo bem, graças a Deus.

E graças a indenização que a prefeitura pagou por ter deixado aquela porcaria de pedra no caminho.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Comédia da vida na privada




...Eu só queria que ela ficasse sentada. Mas a maldita insistia em levantar.
No começo eu pedi com educação, falei carinhosamente em seu ouvido. Mas nesse ponto éramos parecidos, teimosos, duas mulas.
Isso era de manha, eu estava determinado, e pra mim a única coisa que importava naquele momento era que ela ficasse sentada.
Não sei o que era, talvez eu quisesse um sinal de respeito, talvez só quisesse saciar o meu ego, demonstrar o meu poder, a minha superioridade.
Mas o ódio mesmo veio quando ela retrucou, sem palavras, mas retrucou.
Eu disse: Senta!
E não é que a maldita levantou.
Acho que era mesmo uma criança, acho que estava exigindo muito dela. Crianças são assim mesmo desobedientes. Mas pra mim ela não era criança, eu a via todos os dias, acompanhei o crescimento.
Com a régua bati na minha própria mão, forte. Afim de que ela pudesse escutar o barulho e que ficasse assustada. Eu disse que a próxima seria nela.
Mas ela insistiu e não sentou.
Eu tinha dó, mas tinha que mostrar quem mandava.
Então, falei: Vou pedir pela ultima vez, e se não fizer vai se arrepender.
...Ela não fez.
Fui até o carro, peguei um 22 que guardava no porta luvas, e dei fim naquela desobediente.
Hoje ela não se levanta mais, ameaça um movimento ou outro.

É eu tive coragem.

Apertei o gatilho e aleijei a minha auto-estima.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Enquanto isso em uma cadeira de dentista...


Acho que passo muito tempo afastado de mim mesmo, e olha que convivo comigo todos os dias.

O mais dificil é conversar, perguntar o que há de errado.

Era tão intimo de mim mesmo, mas parece que fui perdendo essa liberdade. Nem mesmo tenho coragem de me elogiar, e as vezes quando necessário me chamar a atenção.

Hoje me assustei porque foi em uma cadeira de dentista que discuti minha relação comigo mesmo.

Enquanto ela colocava um bexiga com cheiro de chiclets dentro da minha boca, e separava as ferramentas cuidadosamente, eu ia viajando, imaginando qual das dores seria a pior, a das agulhas ou do "motorzinho".


Mas Deus inventou o homem, e o homem inventou a anestesia.


A dor foi dificil, quando ela enfiou a agulha na raiz do dente, mas a agulhada da anestesia foi relativamente relaxante.

A partir dai, pra fugir das raspagenes dentarias e agulhadas que iam e vinham, resolvi bater um papo com a unica pessoa que naquela hora não exigia que eu falasse. Eu mesmo!

Comecei meio sem "lida", meio constrangido, pois à muito não nos falavamos, tinhamos virado estranhos perfeitos.

Nos completavamos, mas nos ignoravamos diariamente. Mas sem rancor de nenhuma das partes, simplesmente aconteceu.

Descobri que a muito tempo eu mesmo queria falar comigo, mas também não tinha coragem, ou empenho para tal.


Descobri que o medo estava acabando comigo, e que por coincidência era o mesmo medo que me consumia.


Descobri comigo mesmo, que eu sou uma pessoa legal, pelo menos eu acho isso.


Descobri que eu tenho muito tempo pra viver e pra ser feliz comigo mesmo.


A certa hora da conversa, percebi comigo, que eu estava triste. Pois tudo indicava que o tratamento estava chegando ao fim, ela retirava as agulhas, que ainda traziam pequenos pedaços de nervos. Se preparava pra tirar a bexiga com cheiro de chicletes.

Percebendo realmente que tudo estava acabando, e que o curativo estava pronto pra ser colocado, pensei comigo mesmo:


Por que eu não falo comigo mais vezes?


Por que só em momentos dificeis procuro saber comigo mesmo o que me aflinge?


Acho que a dor aproxima as pessoas, e não poderia ser diferente comigo. Eu, triste comigo mesmo. Nos gostamos tanto, nos conhecemos tão pouco. A dentista colocou o curativo.



O papo foi bom, mas cá entre nós, acho que só nos veremos daqui a alguns meses na mesa de cirurgia...



...vou fazer uma plástica no cérebro.!

domingo, 27 de maio de 2007

Teoria da conspiração #1: O estado x A sociedade (ou vice e versa)


Vivemos uma época de incertezas, a revolução tecnológica está em larga expansão, a globalização é um projeto em plena execução. Nunca antes o capital intelectual valeu tanto como nos dias de hoje. As guerras não são mais por honra, ou por objetivos claros e específicos, mas sim por interesses obscuros e subjetivos, que separados ou somados equivalem a dinheiro e poder.

A manipulação da sociedade é peça fundamental para o bom andamento dos negócios. O que você achava que era fantasia, lhe digo, é a mais pura realidade.

A televisão e o radio passam mensagens subliminares a todos os instantes, a coca-cola está vencendo a batalha, e não importa quantos refrigerantes regionais existam...Eles vão continuar
vencendo, pois possuem um dos maiores aliados ao seu lado: O Mc Donalds.

Milhões de minhocas são mortas todos os dias, para que o seu Mc lanche feliz saia perfeito, do tamanho de uma traquinas de chocolate. E milhões de animais além das minhocas são mortos em laboratórios, para enriquecer mais e mais a industria farmacêutica. Enquanto eles guardam a cura da AIDS escondida em alguma base subterrânea no deserto.

Os remédios que circulam hoje possuem a capacidade e finalidade específica de matar os neurônios de seus usuários, tornando as industrias farmacêuticas mais ricas e os governos mais e mais poderosos.

Nada do que você recebe é de graça. Passamos os primeiros 4 meses do ano trabalhando para pagar nossas supostas despesas, e as adicionais são pagas no instante em que são requisitadas.

Alienígenas já estão em nosso planeta há séculos, e os governos têm consciência de sua existência. Mas todos que aqui chegam são logo “apagados” afim de que não implantem aqui seu conceito de sociedade, que é um conceito de liberdade e união, formando assim uma sociedade sólida e auto-suficiente, com o único objetivo de alcançar a paz.

A Organização das Nações mente descaradamente quando fala sobre uma possível recuperação do planeta, que está devastado. Sua reabilitação só seria possível com a tecnologia extraterrestre, que os governos recusam a aceitar. A não ser em casos de guerra, quando aceitaram receber a tecnologia nuclear.

Somos enganados a todos os momentos, sugados até a ultima gota de dignidade, forçados a viver no nosso próprio planeta como se fossemos estranhos.

Trabalhar incansavelmente nos fins de noite e finais de semana com o único propósito de enriquecer os que já são ricos. Submeter-se a humilhações de pessoas que não tem a consciênsia do que a palavra "vida" significa.

Pagar impostos incansavelmente, depois de ter pagado os impostos incansavelmente, depois de ter pagado os impostos incansavelmente, depois de ter pagado impostos...
Todos temos objetivos diferentes de vida, mas no fim todos os objetivos são os mesmos, viver e viver e viver...

Agora... se você não acredita em uma palavra do que eu disse, tudo bem. Nem tudo nesta vida é real!



Vá...pode voltar a assistir o Big Brother, eu também torço pelo Alemão...nossos heróis!!!!???