Fuçar

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Para uma menina sem um dedinho



Porquê você é uma menina sem um dedinho e é a melhor bailarina do mundo, eu lhe prometo amor eterno.


Não pelo fato de você ser bonita e tal, mas pelo fato de conseguir tocar a vida adiante, mesmo sem o dedinho.

Você é uma matraca, e sorte sua não ser uma menina sem a língua.

Por falar em língua, foi você que me beijou primeiro no nosso primeiro encontro, e por isso eu te amo, porque se não, nunca teria lhe beijado. Não pelo fato de eu ser covarde, mas é que eu nunca soube a hora certa de beijar alguém. Aprendi com você que não existe hora certa pra beijar.

Aprendi a te amar e hoje eu sei que de todas as mulheres que amei, tu és sem sombra de dúvida o fruto do meu amor maduro. Pois você é a única com quem me imagino limpando cocô de cachorro em uma manhã de domingo e cortando a grama do quintal (ou pagando alguém para fazê-lo).

E por você ser uma menina sem um dedinho, eu sei que por mais que você corra de mim eu ainda vou te alcançar. E se isso não acontecer, tenho a certeza absoluta de que você vai me esperar em algum boteco e pedir uma cerveja bem gelada pra me esperar.

Não tenho medo de te perder, nenhum pouco. Pois já guardei os nossos momentos no mais intimo do meu coração, e que por mais que você encontre outros amores, você foi minha por toda eternidade que durou o nosso amor, e isso é só meu.

Você é uma menina sem um dedinho que conquistou meu coração. Só podia ser você. Pois no meio da multidão você era a única menina sem um dedinho, com os cabelos escorridos e vestida de azul.

Você já é a mãe dos meus filhos e dos meus cães, a nora da minha mãe, a cunhada da minha irmã e a sobrinha neta da minha tia avó. Você já é a mulher que eu sempre quis, a que eu sempre amei e com quem eu quero passar o resto da vida.

Você é única, especial e imperfeita.

Você fala demais, você é brava e geniosa.
Você é linda, inteligente e cativante.

Amo você por todos os seus adjetivos!

Mas especialmente porque você é uma menina sem um dedinho, que consegue ser a mais completa de todas e que faz de mim o homem mais feliz do mundo.
P.S.: Eu vou tentar sempre te amar!

sábado, 16 de agosto de 2008

Sobre como as coisas acontecem



. . . importante não é o fato, inevitável, inesperado, e repentino. Mas onde esses fatos nos levam.Estar simplesmente parado em algum lugar pode levá-lo a conhecer o amor de sua vida. Ou então ser atropelado por um ônibus (por isso, pare sempre na calçada).

As coisas geralmente acontecem quando menos esperamos. As pessoas morrem de repente, perdemos o emprego no meio das prestações do carro, ou perdemos a ponta do dedo em tropeços pela rua.

Mas coisas boas também acontecem. Como alguém que aparece, quase sem querer, e deixa o dia mais feliz, ou ganhar um sorriso da moça bonita que sempre passa em frente a sua casa.

Como diria Joseph Climber, a vida é realmente uma caixinha de surpresas. E é de vital importancia estar preparado para tais.

Coloque-se pronto a encarar o que a vida te dá, desde o desemprego aos amores mais impossíveis. Desde o primeiro milhão de dólares aos atropelamentos quase fatais.

E lembre-se, que apesar de tudo que possa acontecer, sempre existirá uma luz. E junto com ela algum filho da puta disposto a desligar o interruptor, então, fica esperto e deixa rolar. . .

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

I'm not there...


... E foi quando abri os olhos e você estava lá. A única pessoa que poderia me dizer o que era certo ou errado. Mas você nem ao menos falava.

Eu era como uma criança, a vida pra mim era um palco e eu só queria brincar, correr pelado por aí. E você entendia isso.

Mas as outras pessoas me olhavam como se eu fosse diferente, como se eu tivesse que abrir mão das coisas que me faziam feliz.

Não me arrependo de ter mentido que ia estudar e ir nadar no rio, nem de ter fumado meu primeiro cigarro escondido. Arrependo-me muito menos dos porres que tomei ou de ter escrito com coco pelas paredes do banheiro (ok, disso eu me arrependo um pouco) (só um pouco).

Aprendi a ignorar essas pessoas, e a ignorar as perguntas que sempre me rodearam, perguntas geralmente sem respostas.

Que pessoa eu teria sido se não tivesse feito essas coisas ? Que ruma minha vida teria tomado se eu não tivesse matado aula na quinta série ?

E a resposta está aí. Você!

Você é a resposta pra todas as minhas perguntas. Você calou todas as minhas dúvidas.

E agora eu sei, que desde o momento em que abri os olhos, você sempre esteve lá, me esperando.
Sempre quis que alguém fizesse alguma coisa por mim. Não percebi que eu mesmo poderia ter feito.

Meus olhos estão pesados agora, acho que é sono.

Só queria que você soubesse, que de tantos os caminhos diferentes que eu poderia ter tomado, todos me levariam a você.

E que de todas as pessoas que eu poderia ter sido, fiz o máximo que pude pra ser a melhor pessoa de todas, por você.

Eu sempre estarei com você!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Sobre a ausência dos polegares




Talvez arrebentar a cabeça contra a parede fosse a melhor solução. Já que a ele só restara a parede da construção abandonada.

Tinha 4 dedos em cada mão, os que faltavam eram os polegares.

Deus não poderia ter escolhido forma melhor de lhe foder.

Inimaginável viver sem os polegares, já que estes, como todos sabem, têm a função de pinça.

Talvez o ser humano pudesse viver sem qualquer outra parte do corpo, até sem um cérebro, mas os polegares?! Era castigo demais para uma pessoa só, e em uma vida só!

Seu maior sonho, desde os 12 anos era que a ciência pudesse inventar polegares robóticos, para que ele pudesse novamente retomar sua vida, como homem que achava que era.
Mas o ano era 2.079, já haviam descoberto a cura para a maioria das doenças identificadas, resolvido os problemas de aquecimento global, e todas as pessoas eram iguais entre si (menos as que não possuíam polegares). E por incrível que pareça a busca da ciência pela recuperação de polegares estava para aquela geração, assim como a cura da AIDS para os anos 90.

A depressão já era tanta, que o tal passava os dias afogando as magoas “polegáricas” em copos de Coca-beer (versão alcoólica da coca). Já perdera, mulher, filhos, cachorro robô. Tudo que lhe importava. Até seu fusca, ele havia batido.

Decidira então por um fim a todo aquele sofrimento. Mas como? Eis a questão.

Arrebentar a cabeça na parede? Talvez. Mas a parede poderia ceder e iria doer pra caralho.

Tiro na cabeça? Ótima idéia!

Você não tem polegar idiota, isso pode atrapalhar.

Mas espere...

É, é isso.

Decidido! Pega a faca lá!

Isso. Põem a mão na mesa. Agora corta.

Não, todos não. Um por um. É mais seguro.

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George não conseguiu o polegar, ao invés disso amputou todos os outros dedos. Aposentou-se por invalidez e recebeu uma bolada de indenização das industrias Coca-cola, alegou estar sobre efeito da bebida quando cortou fora todos seus dedos

George vive feliz com a família em algum lugar ao sul.

George restaurou a velha parede...

... e comprou um fusca 67.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

La despedida



Manhã escura, não pela chuva, mas pela massa quase viva de poluição que cobria São Paulo. O que por um lado antiecológico, e não muito saudável, dá certo charme a cidade.

A multidão das ruas traz, além de certa fobia, conforto. Pois o grande número de pessoas diferentes (estranhas) dá a nítida sensação de normalidade.

A massa viva de poluição, na verdade, escondia uma chuva das boas. Dessas que limpa o céu, e podem imaginar a proporção da chuva pra limpar o céu de São Paulo.

Em meio à chuva, as vidas continuam, e as ruas ainda lotadas. Tantos encontros e desencontros, em meio a batedores de carteira.

Uma despedida se destaca. Mas que vida não merece destaque? Essa é uma escolha que cabe a mim, neste momento. Logo, essa despedida se destaca.

As personagens: Mulheres. Duas. Lindas. Doces.

Uma não era daqui, mas aqui morava por opção. Outra era daqui, mas aqui deixava de morar, por opção.

As semelhanças? A amizade e a doçura feminina, sem contar as personalidades, fortes. Duas fotógrafas!

Era a despedida da amiga, de São Paulo, da vida por ali. O destino: Buenos Aires.

Outra semelhança era o gosto por chá e bolinhos. E que despedida melhor, se não com chá e bolinhos?!

Lipcia não é daqui, mas é quem fica. Mary é daqui, mas é quem vai.

Lipcia: - Na minha casa ou na sua?
Mary: - De preferência na sua, quem vai embora sou eu e não quero bagunça.

Parada na padaria pra comprar bolinhos e bolachas, além de outros quitutes pra enfeitar mesa.

4:47 da tarde. Água fervendo, apartamento cheirando limpinho (detalhe pra sujeira embaixo do tapete), e na janela a chuvosa batendo.

As fofuras na cozinha, o chá tava pronto, um minuto de silêncio. A hora da despedida chegando...

Uma coisa faltava. Mary filha de espanhóis, Lipcia Boliviana. Uma ultima conversa em uma língua mais caliente, pra rebater a chuva?!
Hablaram la noche toda!

Comeram bolinhos e tomaram seu chá ouvindo o barulho da chuva, que delícia.

Enfim, o fim. O adeus sempre chega.

Um abraço, uma fotografia, quase um filme. No mínimo uma história, um roteiro.

– Gracias Mary, por todo.
– Cala tu boca Lipcia. Amo te.

Tchau!



André M.
(Para Lip)