Fuçar

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

I'm not there...


... E foi quando abri os olhos e você estava lá. A única pessoa que poderia me dizer o que era certo ou errado. Mas você nem ao menos falava.

Eu era como uma criança, a vida pra mim era um palco e eu só queria brincar, correr pelado por aí. E você entendia isso.

Mas as outras pessoas me olhavam como se eu fosse diferente, como se eu tivesse que abrir mão das coisas que me faziam feliz.

Não me arrependo de ter mentido que ia estudar e ir nadar no rio, nem de ter fumado meu primeiro cigarro escondido. Arrependo-me muito menos dos porres que tomei ou de ter escrito com coco pelas paredes do banheiro (ok, disso eu me arrependo um pouco) (só um pouco).

Aprendi a ignorar essas pessoas, e a ignorar as perguntas que sempre me rodearam, perguntas geralmente sem respostas.

Que pessoa eu teria sido se não tivesse feito essas coisas ? Que ruma minha vida teria tomado se eu não tivesse matado aula na quinta série ?

E a resposta está aí. Você!

Você é a resposta pra todas as minhas perguntas. Você calou todas as minhas dúvidas.

E agora eu sei, que desde o momento em que abri os olhos, você sempre esteve lá, me esperando.
Sempre quis que alguém fizesse alguma coisa por mim. Não percebi que eu mesmo poderia ter feito.

Meus olhos estão pesados agora, acho que é sono.

Só queria que você soubesse, que de tantos os caminhos diferentes que eu poderia ter tomado, todos me levariam a você.

E que de todas as pessoas que eu poderia ter sido, fiz o máximo que pude pra ser a melhor pessoa de todas, por você.

Eu sempre estarei com você!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Sobre a ausência dos polegares




Talvez arrebentar a cabeça contra a parede fosse a melhor solução. Já que a ele só restara a parede da construção abandonada.

Tinha 4 dedos em cada mão, os que faltavam eram os polegares.

Deus não poderia ter escolhido forma melhor de lhe foder.

Inimaginável viver sem os polegares, já que estes, como todos sabem, têm a função de pinça.

Talvez o ser humano pudesse viver sem qualquer outra parte do corpo, até sem um cérebro, mas os polegares?! Era castigo demais para uma pessoa só, e em uma vida só!

Seu maior sonho, desde os 12 anos era que a ciência pudesse inventar polegares robóticos, para que ele pudesse novamente retomar sua vida, como homem que achava que era.
Mas o ano era 2.079, já haviam descoberto a cura para a maioria das doenças identificadas, resolvido os problemas de aquecimento global, e todas as pessoas eram iguais entre si (menos as que não possuíam polegares). E por incrível que pareça a busca da ciência pela recuperação de polegares estava para aquela geração, assim como a cura da AIDS para os anos 90.

A depressão já era tanta, que o tal passava os dias afogando as magoas “polegáricas” em copos de Coca-beer (versão alcoólica da coca). Já perdera, mulher, filhos, cachorro robô. Tudo que lhe importava. Até seu fusca, ele havia batido.

Decidira então por um fim a todo aquele sofrimento. Mas como? Eis a questão.

Arrebentar a cabeça na parede? Talvez. Mas a parede poderia ceder e iria doer pra caralho.

Tiro na cabeça? Ótima idéia!

Você não tem polegar idiota, isso pode atrapalhar.

Mas espere...

É, é isso.

Decidido! Pega a faca lá!

Isso. Põem a mão na mesa. Agora corta.

Não, todos não. Um por um. É mais seguro.

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George não conseguiu o polegar, ao invés disso amputou todos os outros dedos. Aposentou-se por invalidez e recebeu uma bolada de indenização das industrias Coca-cola, alegou estar sobre efeito da bebida quando cortou fora todos seus dedos

George vive feliz com a família em algum lugar ao sul.

George restaurou a velha parede...

... e comprou um fusca 67.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

La despedida



Manhã escura, não pela chuva, mas pela massa quase viva de poluição que cobria São Paulo. O que por um lado antiecológico, e não muito saudável, dá certo charme a cidade.

A multidão das ruas traz, além de certa fobia, conforto. Pois o grande número de pessoas diferentes (estranhas) dá a nítida sensação de normalidade.

A massa viva de poluição, na verdade, escondia uma chuva das boas. Dessas que limpa o céu, e podem imaginar a proporção da chuva pra limpar o céu de São Paulo.

Em meio à chuva, as vidas continuam, e as ruas ainda lotadas. Tantos encontros e desencontros, em meio a batedores de carteira.

Uma despedida se destaca. Mas que vida não merece destaque? Essa é uma escolha que cabe a mim, neste momento. Logo, essa despedida se destaca.

As personagens: Mulheres. Duas. Lindas. Doces.

Uma não era daqui, mas aqui morava por opção. Outra era daqui, mas aqui deixava de morar, por opção.

As semelhanças? A amizade e a doçura feminina, sem contar as personalidades, fortes. Duas fotógrafas!

Era a despedida da amiga, de São Paulo, da vida por ali. O destino: Buenos Aires.

Outra semelhança era o gosto por chá e bolinhos. E que despedida melhor, se não com chá e bolinhos?!

Lipcia não é daqui, mas é quem fica. Mary é daqui, mas é quem vai.

Lipcia: - Na minha casa ou na sua?
Mary: - De preferência na sua, quem vai embora sou eu e não quero bagunça.

Parada na padaria pra comprar bolinhos e bolachas, além de outros quitutes pra enfeitar mesa.

4:47 da tarde. Água fervendo, apartamento cheirando limpinho (detalhe pra sujeira embaixo do tapete), e na janela a chuvosa batendo.

As fofuras na cozinha, o chá tava pronto, um minuto de silêncio. A hora da despedida chegando...

Uma coisa faltava. Mary filha de espanhóis, Lipcia Boliviana. Uma ultima conversa em uma língua mais caliente, pra rebater a chuva?!
Hablaram la noche toda!

Comeram bolinhos e tomaram seu chá ouvindo o barulho da chuva, que delícia.

Enfim, o fim. O adeus sempre chega.

Um abraço, uma fotografia, quase um filme. No mínimo uma história, um roteiro.

– Gracias Mary, por todo.
– Cala tu boca Lipcia. Amo te.

Tchau!



André M.
(Para Lip)

domingo, 30 de setembro de 2007

Sobre despedidas, novelas e conflitos mundiais.


...tavez se nossos corações não fossem tão covardes, saberiamos a hora certa de dizer adeus.


Adeus!


Palavra fria. Melhor do que dizer : - Aodiabo!


Quer dizer, melhor em termos, dizem que o diabo é o pai do rock, e o rock não morre nunca. Isso quer dizer que o rock nunca vai dizer "adeus" e sim "aodiabo". Confuso! Mas se o Diabo é o pai do rock, ele deve ser um cara legal. Aposto que não concordou com algumas regras idiotas e excomungaram o coitado. Assuntos divinos, celestiais que não cabem a nossa divindade terrestre.


E deixando deus e o diabo na terra do sol, e tudo o que resta é resto, como diz um amigo: - Tudo o que respira conspira!


Se até o papa que é mais chegado de deus, é pop. Logo toda forma de poder é uma forma de morrer por nada, se nada é o que podemos fazer.


Tem dias que a vontade é de mudar o mundo, mudaaar o mundooo!PORRA! Mas tem dias que eu não mudo nem de cuéca, como é que eu vou mudar o mundo?!


Quem me dera ter nascido Che guevara. Forte, revolucionário, convicto. To mais pra Lula, ex-revolucionário, sem convicção nenhuma e começando a beber demais (Deus ajude que eu não perca nenhum dedo) (a não ser que um dedo seja o preço da ignorância) (eu não sei de nada).


Tal qual a presidência a vida é complicada, e as vezes, não nego, é melhor não saber de nada. Mas mesmo tentando esconder de nós mesmos que não sabemos, é aí que mora o perigo, pois o inimigo é interno.


O meu maior inimigo (tirando George "war" Bush) sou eu mesmo. Mas eu prefiro enfrentar o George War do que a mim mesmo, por isso, meus encontros comigo mesmo são tão raros, e acontecem por vezes em cadeira de dentista.


Mas ao invés de tentar resolver meus conflitos internos e depois partir para a escala dos conflitos mundiais, me preocupo primeiro com problemas colossais. Talvez pra esquecer que meu mundo particular é tão imperfeito quanto o mundo real em que vivo. E que dentro de mim existem vários Georges Wars, vários presidentes Lulas e também vários Ches.


Estou no aguardo de descobrir o Neo que há dentro de mim, e então poder desvendar os mistérios da matrix.


Não que isso seja importante é claro. Pois o maior mistérios de todos eu já resolvi...



Eu sempre soube quem matou a Thaís !

sábado, 8 de setembro de 2007

Em busca de Novos Horizontes ...!


É hora de buscar novos horizontes, e desarmar nosso coração blindado. Desenterrar das bases de Guantánamo o nosso passado cinza, pois é através dele que chegaremos a luz. E por consequência, toda forma de poder será mais do que apenas a onda que arrebanta na praia, será uma chuva de containers no ar.

Até o alto a montanha é totalmente vertical, e durante o caminho teremos de juntar todas as pessas do quebra-cabeça, tomando cuidado para que as informações não sejam captadas pela parabólica dos inimigos. Apesar dos inimigos, não guarde magoas. Eu não consigo odiar ninguém, espero que vocês também não.

Não se esqueça de quem ficou, eu não esqueço nunca, pois no meio de tudo você e precisa sempre ser forte. Faz de conta que no teu rádio toca piano bar, isto vai te acalmar e vai lembrar dela com carinho.

Pra ser sincero acho que a luta valerá a pena, pois quando chegarmos lá no alto teremos nosso alívio imediato, e voltaremos a ser quem somos de verdade, e que esquecemos por muito tempo. Somos todos...



simples de coração!



(homenagem com carinho)