Fuçar

sexta-feira, 8 de junho de 2007

A porcaria da pedra.


...Havia uma pedra no caminho. No caminho havia a porcaria de uma pedra. Onde tropecei, quebrei os 4 dentes da frente, arrebentei o dedão do pé esquerdo, e esfolei as palmas das mãos.
Mas nessa altura do caminho eu já estava cansado mesmo. A porcaria da pedra mais ajudou do que atrapalhou.
Quando eu estava sozinho a porcaria da pedra foi a única “coisa” que me ajudou. Deitou-me no chão quando eu estava cansado, fez eu sentir a dor física e esquecer que o meu coração havia se despedaçado.
Foi caído no chão que eu pude ver as coisas e o mundo de uma perspectiva diferente, com poeira nos olhos.
Foi vendo o sangue se esvair das minhas mãos que pude entender o real sentido da vida. E ela escapava gota a gota.
E foi ai, que decidi viver de verdade.

Superei os traumas, colei meu coração partido, fiz re implante dentário. Sou feliz.

Hoje vivo bem, graças a Deus.

E graças a indenização que a prefeitura pagou por ter deixado aquela porcaria de pedra no caminho.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Comédia da vida na privada




...Eu só queria que ela ficasse sentada. Mas a maldita insistia em levantar.
No começo eu pedi com educação, falei carinhosamente em seu ouvido. Mas nesse ponto éramos parecidos, teimosos, duas mulas.
Isso era de manha, eu estava determinado, e pra mim a única coisa que importava naquele momento era que ela ficasse sentada.
Não sei o que era, talvez eu quisesse um sinal de respeito, talvez só quisesse saciar o meu ego, demonstrar o meu poder, a minha superioridade.
Mas o ódio mesmo veio quando ela retrucou, sem palavras, mas retrucou.
Eu disse: Senta!
E não é que a maldita levantou.
Acho que era mesmo uma criança, acho que estava exigindo muito dela. Crianças são assim mesmo desobedientes. Mas pra mim ela não era criança, eu a via todos os dias, acompanhei o crescimento.
Com a régua bati na minha própria mão, forte. Afim de que ela pudesse escutar o barulho e que ficasse assustada. Eu disse que a próxima seria nela.
Mas ela insistiu e não sentou.
Eu tinha dó, mas tinha que mostrar quem mandava.
Então, falei: Vou pedir pela ultima vez, e se não fizer vai se arrepender.
...Ela não fez.
Fui até o carro, peguei um 22 que guardava no porta luvas, e dei fim naquela desobediente.
Hoje ela não se levanta mais, ameaça um movimento ou outro.

É eu tive coragem.

Apertei o gatilho e aleijei a minha auto-estima.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Enquanto isso em uma cadeira de dentista...


Acho que passo muito tempo afastado de mim mesmo, e olha que convivo comigo todos os dias.

O mais dificil é conversar, perguntar o que há de errado.

Era tão intimo de mim mesmo, mas parece que fui perdendo essa liberdade. Nem mesmo tenho coragem de me elogiar, e as vezes quando necessário me chamar a atenção.

Hoje me assustei porque foi em uma cadeira de dentista que discuti minha relação comigo mesmo.

Enquanto ela colocava um bexiga com cheiro de chiclets dentro da minha boca, e separava as ferramentas cuidadosamente, eu ia viajando, imaginando qual das dores seria a pior, a das agulhas ou do "motorzinho".


Mas Deus inventou o homem, e o homem inventou a anestesia.


A dor foi dificil, quando ela enfiou a agulha na raiz do dente, mas a agulhada da anestesia foi relativamente relaxante.

A partir dai, pra fugir das raspagenes dentarias e agulhadas que iam e vinham, resolvi bater um papo com a unica pessoa que naquela hora não exigia que eu falasse. Eu mesmo!

Comecei meio sem "lida", meio constrangido, pois à muito não nos falavamos, tinhamos virado estranhos perfeitos.

Nos completavamos, mas nos ignoravamos diariamente. Mas sem rancor de nenhuma das partes, simplesmente aconteceu.

Descobri que a muito tempo eu mesmo queria falar comigo, mas também não tinha coragem, ou empenho para tal.


Descobri que o medo estava acabando comigo, e que por coincidência era o mesmo medo que me consumia.


Descobri comigo mesmo, que eu sou uma pessoa legal, pelo menos eu acho isso.


Descobri que eu tenho muito tempo pra viver e pra ser feliz comigo mesmo.


A certa hora da conversa, percebi comigo, que eu estava triste. Pois tudo indicava que o tratamento estava chegando ao fim, ela retirava as agulhas, que ainda traziam pequenos pedaços de nervos. Se preparava pra tirar a bexiga com cheiro de chicletes.

Percebendo realmente que tudo estava acabando, e que o curativo estava pronto pra ser colocado, pensei comigo mesmo:


Por que eu não falo comigo mais vezes?


Por que só em momentos dificeis procuro saber comigo mesmo o que me aflinge?


Acho que a dor aproxima as pessoas, e não poderia ser diferente comigo. Eu, triste comigo mesmo. Nos gostamos tanto, nos conhecemos tão pouco. A dentista colocou o curativo.



O papo foi bom, mas cá entre nós, acho que só nos veremos daqui a alguns meses na mesa de cirurgia...



...vou fazer uma plástica no cérebro.!

domingo, 27 de maio de 2007

Teoria da conspiração #1: O estado x A sociedade (ou vice e versa)


Vivemos uma época de incertezas, a revolução tecnológica está em larga expansão, a globalização é um projeto em plena execução. Nunca antes o capital intelectual valeu tanto como nos dias de hoje. As guerras não são mais por honra, ou por objetivos claros e específicos, mas sim por interesses obscuros e subjetivos, que separados ou somados equivalem a dinheiro e poder.

A manipulação da sociedade é peça fundamental para o bom andamento dos negócios. O que você achava que era fantasia, lhe digo, é a mais pura realidade.

A televisão e o radio passam mensagens subliminares a todos os instantes, a coca-cola está vencendo a batalha, e não importa quantos refrigerantes regionais existam...Eles vão continuar
vencendo, pois possuem um dos maiores aliados ao seu lado: O Mc Donalds.

Milhões de minhocas são mortas todos os dias, para que o seu Mc lanche feliz saia perfeito, do tamanho de uma traquinas de chocolate. E milhões de animais além das minhocas são mortos em laboratórios, para enriquecer mais e mais a industria farmacêutica. Enquanto eles guardam a cura da AIDS escondida em alguma base subterrânea no deserto.

Os remédios que circulam hoje possuem a capacidade e finalidade específica de matar os neurônios de seus usuários, tornando as industrias farmacêuticas mais ricas e os governos mais e mais poderosos.

Nada do que você recebe é de graça. Passamos os primeiros 4 meses do ano trabalhando para pagar nossas supostas despesas, e as adicionais são pagas no instante em que são requisitadas.

Alienígenas já estão em nosso planeta há séculos, e os governos têm consciência de sua existência. Mas todos que aqui chegam são logo “apagados” afim de que não implantem aqui seu conceito de sociedade, que é um conceito de liberdade e união, formando assim uma sociedade sólida e auto-suficiente, com o único objetivo de alcançar a paz.

A Organização das Nações mente descaradamente quando fala sobre uma possível recuperação do planeta, que está devastado. Sua reabilitação só seria possível com a tecnologia extraterrestre, que os governos recusam a aceitar. A não ser em casos de guerra, quando aceitaram receber a tecnologia nuclear.

Somos enganados a todos os momentos, sugados até a ultima gota de dignidade, forçados a viver no nosso próprio planeta como se fossemos estranhos.

Trabalhar incansavelmente nos fins de noite e finais de semana com o único propósito de enriquecer os que já são ricos. Submeter-se a humilhações de pessoas que não tem a consciênsia do que a palavra "vida" significa.

Pagar impostos incansavelmente, depois de ter pagado os impostos incansavelmente, depois de ter pagado os impostos incansavelmente, depois de ter pagado impostos...
Todos temos objetivos diferentes de vida, mas no fim todos os objetivos são os mesmos, viver e viver e viver...

Agora... se você não acredita em uma palavra do que eu disse, tudo bem. Nem tudo nesta vida é real!



Vá...pode voltar a assistir o Big Brother, eu também torço pelo Alemão...nossos heróis!!!!???

terça-feira, 22 de maio de 2007

O beija-flor e o peludo.


6:30 marcava o único relógio da casa, que convenientemente se encontrava em seu quarto, mais precisamente ao lado direito da cabeceira de sua cama. Isto para evitar que perdesse o horário, o que mesmo com o despertador era difícil de não ocorrer.
As 6:45 o relógio despertou. Estapeou-o como era de costume e esse por sua vez insistiu em cumprir sua tarefa e gritou por longos 5 minutos, tempo suficiente para que ele perdesse o sono, ou melhor, a vontade de dormir.
As 6:50 estava de pé em direção ao banheiro, ao cruzar a janela do corredor avistou ao longe um beija-flor, fato incomum, até raro naquela metrópole. Ficou estaqueado perante a janela, ou melhor, perante a beleza do pássaro, que como um helicóptero americano de última geração ficava como que uma estátua viva sustentada apenas pela espessa camada de poluição que pairava sobre a cidade. Naquele instante lembrou-se apenas das lições que aprendera assistindo ao desenho do capitão planeta, e que parara de praticar a muitos anos, ficou triste.
7 horas, e a única coisa que pensava era no lindo beija-flor.
Dentro do segundo ônibus necessário para chegar ao trabalho, mais precisamente as 7:33, tomou uma decisão, talvez a decisão mais importante de sua vida: juntar-se ao beija-flor!
Pensava que seria mais feliz se compartilhasse uma vida tão pura e livre quanto a do pássaro, mas deixou uma coisa clara a si mesmo, não enfiaria o nariz dentro de flor alguma. Não porque não quisesse, mas sim pela alergia que fazia parte de sua vida desde menino.
Tinha o nariz um tanto quanto avantajado, fato que lhe rendera alguns apelidos na infância, e um deles qual era? Isso, beija-flor, ficou feliz pelo seu nariz...
Penas? Impossível! Era muito peludo, talvez devesse escolher algum animal da família dos primatas. Não! Queria ser um beija-flor.
8:17, chegou ao destino, mas não com o intuito de trabalhar, mas sim de se juntar ao beija-flor.
Subiu direto ao 13º andar, nada de especial apenas gostava do número. Era uma central de telemarketing. Ele caminhou por entre essas senhoras e senhores muitíssimos simpáticos até uma porta que supunha ser um escritório, seu comportamento seria normal se não fosse pelo largo sorriso que estampava seu rosto peludo.
Um senhor careca estava sentado à mesa, digitando algo em seu computador, talvez alguma mala direta dizendo o quanto somos importantes para sua empresa.
Com toda a educação adquirida ao longo de 24 anos e 7 meses, pediu licença ao senhor careca que ligeiramente lembrava o padeiro da padaria perto de sua casa e aproximou-se da pequena varanda que dava para um céu de liberdade. Só pensava em ser livre como o beija-flor, e das lições aprendidas com o capitão planeta. O senhor careca, assustado, perguntou que tipo de desparate ele pretendia fazer, e ele respondeu simplesmente que iria voar.
Subiu na mureta e por um instante pensou em gritar: -Vaaaai planetaaa! Mas achou que seria muita pretensão. Ou muito cafona?!
Então exatamente as 8:28 simplesmente atirou seu corpo numa imensidão de barulhos automotivos e poluentes gasosos que durante uma breve eternidade de 7 segundos tornou-se o cenário perfeito do paraíso. Sentiu-se tão livre, mas tão livre que... as palavras não puderam descrever.
Ao fim desses 7 lindos segundos seu corpo peludo espatifou-se contra o chão, e em uma cena trágica as pessoas pararam para ver o mais nova notícia dos jornais, porque afinal de contas, quem não gosta de conhecer uma celebridade?! A multidão juntou-se como formigas em volta do caramelo da maçã do amor, e a curiosidade que antes matará o gato, matou também um menino que foi atropelado por um motorista curioso.
Murmurinhos começaram a surgir em volta do cadáver que era estranho tanto pelo sorriso que trazia consigo, quanto pela espessa camada de pelos que cobria seu corpo morto.
As pessoas discutiam entre si que horrível razão levaria uma pessoa a se jogar do 13º andar de um prédio.
-Será que perdeu a namorada?
-Será que perdeu o emprego?
-Será que estava doente?
Entre tantos serás, um estava certo.
-Será que achou que podia voar? Coitado, achou errado!
Mais do que depressa o senhor careca, aquele parecido com o padeiro, respondeu: - A julgar pelo sorriso do garoto quando passou pela minha sala e por este estampado em sua cara quebrada, deduzo que conseguiu o que queria, acho que voou por longos 7 segundos.

...

Alguns dizem que ele levou somente 7 segundos para espatifar-se contra o chão, eu prefiro acreditar que ele voou por eternos 7 segundos.


VOAR OU SER FELIZ É APENAS UMA QUESTÃO DE PONTO DE VISTA...


P.S.: O beija-flor era de plástico.


André de Moura