Fuçar

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

La despedida



Manhã escura, não pela chuva, mas pela massa quase viva de poluição que cobria São Paulo. O que por um lado antiecológico, e não muito saudável, dá certo charme a cidade.

A multidão das ruas traz, além de certa fobia, conforto. Pois o grande número de pessoas diferentes (estranhas) dá a nítida sensação de normalidade.

A massa viva de poluição, na verdade, escondia uma chuva das boas. Dessas que limpa o céu, e podem imaginar a proporção da chuva pra limpar o céu de São Paulo.

Em meio à chuva, as vidas continuam, e as ruas ainda lotadas. Tantos encontros e desencontros, em meio a batedores de carteira.

Uma despedida se destaca. Mas que vida não merece destaque? Essa é uma escolha que cabe a mim, neste momento. Logo, essa despedida se destaca.

As personagens: Mulheres. Duas. Lindas. Doces.

Uma não era daqui, mas aqui morava por opção. Outra era daqui, mas aqui deixava de morar, por opção.

As semelhanças? A amizade e a doçura feminina, sem contar as personalidades, fortes. Duas fotógrafas!

Era a despedida da amiga, de São Paulo, da vida por ali. O destino: Buenos Aires.

Outra semelhança era o gosto por chá e bolinhos. E que despedida melhor, se não com chá e bolinhos?!

Lipcia não é daqui, mas é quem fica. Mary é daqui, mas é quem vai.

Lipcia: - Na minha casa ou na sua?
Mary: - De preferência na sua, quem vai embora sou eu e não quero bagunça.

Parada na padaria pra comprar bolinhos e bolachas, além de outros quitutes pra enfeitar mesa.

4:47 da tarde. Água fervendo, apartamento cheirando limpinho (detalhe pra sujeira embaixo do tapete), e na janela a chuvosa batendo.

As fofuras na cozinha, o chá tava pronto, um minuto de silêncio. A hora da despedida chegando...

Uma coisa faltava. Mary filha de espanhóis, Lipcia Boliviana. Uma ultima conversa em uma língua mais caliente, pra rebater a chuva?!
Hablaram la noche toda!

Comeram bolinhos e tomaram seu chá ouvindo o barulho da chuva, que delícia.

Enfim, o fim. O adeus sempre chega.

Um abraço, uma fotografia, quase um filme. No mínimo uma história, um roteiro.

– Gracias Mary, por todo.
– Cala tu boca Lipcia. Amo te.

Tchau!



André M.
(Para Lip)

domingo, 30 de setembro de 2007

Sobre despedidas, novelas e conflitos mundiais.


...tavez se nossos corações não fossem tão covardes, saberiamos a hora certa de dizer adeus.


Adeus!


Palavra fria. Melhor do que dizer : - Aodiabo!


Quer dizer, melhor em termos, dizem que o diabo é o pai do rock, e o rock não morre nunca. Isso quer dizer que o rock nunca vai dizer "adeus" e sim "aodiabo". Confuso! Mas se o Diabo é o pai do rock, ele deve ser um cara legal. Aposto que não concordou com algumas regras idiotas e excomungaram o coitado. Assuntos divinos, celestiais que não cabem a nossa divindade terrestre.


E deixando deus e o diabo na terra do sol, e tudo o que resta é resto, como diz um amigo: - Tudo o que respira conspira!


Se até o papa que é mais chegado de deus, é pop. Logo toda forma de poder é uma forma de morrer por nada, se nada é o que podemos fazer.


Tem dias que a vontade é de mudar o mundo, mudaaar o mundooo!PORRA! Mas tem dias que eu não mudo nem de cuéca, como é que eu vou mudar o mundo?!


Quem me dera ter nascido Che guevara. Forte, revolucionário, convicto. To mais pra Lula, ex-revolucionário, sem convicção nenhuma e começando a beber demais (Deus ajude que eu não perca nenhum dedo) (a não ser que um dedo seja o preço da ignorância) (eu não sei de nada).


Tal qual a presidência a vida é complicada, e as vezes, não nego, é melhor não saber de nada. Mas mesmo tentando esconder de nós mesmos que não sabemos, é aí que mora o perigo, pois o inimigo é interno.


O meu maior inimigo (tirando George "war" Bush) sou eu mesmo. Mas eu prefiro enfrentar o George War do que a mim mesmo, por isso, meus encontros comigo mesmo são tão raros, e acontecem por vezes em cadeira de dentista.


Mas ao invés de tentar resolver meus conflitos internos e depois partir para a escala dos conflitos mundiais, me preocupo primeiro com problemas colossais. Talvez pra esquecer que meu mundo particular é tão imperfeito quanto o mundo real em que vivo. E que dentro de mim existem vários Georges Wars, vários presidentes Lulas e também vários Ches.


Estou no aguardo de descobrir o Neo que há dentro de mim, e então poder desvendar os mistérios da matrix.


Não que isso seja importante é claro. Pois o maior mistérios de todos eu já resolvi...



Eu sempre soube quem matou a Thaís !

sábado, 8 de setembro de 2007

Em busca de Novos Horizontes ...!


É hora de buscar novos horizontes, e desarmar nosso coração blindado. Desenterrar das bases de Guantánamo o nosso passado cinza, pois é através dele que chegaremos a luz. E por consequência, toda forma de poder será mais do que apenas a onda que arrebanta na praia, será uma chuva de containers no ar.

Até o alto a montanha é totalmente vertical, e durante o caminho teremos de juntar todas as pessas do quebra-cabeça, tomando cuidado para que as informações não sejam captadas pela parabólica dos inimigos. Apesar dos inimigos, não guarde magoas. Eu não consigo odiar ninguém, espero que vocês também não.

Não se esqueça de quem ficou, eu não esqueço nunca, pois no meio de tudo você e precisa sempre ser forte. Faz de conta que no teu rádio toca piano bar, isto vai te acalmar e vai lembrar dela com carinho.

Pra ser sincero acho que a luta valerá a pena, pois quando chegarmos lá no alto teremos nosso alívio imediato, e voltaremos a ser quem somos de verdade, e que esquecemos por muito tempo. Somos todos...



simples de coração!



(homenagem com carinho)

domingo, 15 de julho de 2007

A cerejeira.


...ela parece ter sido feita por Deus. Mas Deus sabe qual a sua origem?!

Por baixo da casca dura e grossa ela é simples, e tem medo. Os galhos grandes e tortuosos, que apesar da casca dura são confortáveis e bondosos, me dão sombra e me protegem do vento.

A psicodelia combinativa das suas cores é impressionante, o rosa está para o verde assim como o amor está para o ódio e o ódio para o amor. Um contraste conjugal perfeito.

Tudo nela dá a sensação de liberdade, e ainda assim ela continua lá, pregada no chão.

Todos sem excessão a adoram e ela retribui. E não importa o quão ridícula seja a dança que lhe é oferecida ela vai sempre sorrir, porque a oferenda mais importante para ela é a felicidade.

Tudo vai bem. Só que ela não fala.

Seus movimentos falam por si. Mas eu não sei ler seus movimentos, e por isso ela não me diz quais são seus reais sentimentos.

E mesmo assim ela me ensina, e eu aprendo.


E a cada dia, e a cada folha que cai, eu descubro em sua nudez todo o sentido de estar e de ser... Livre.!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Enquanto isso em um parque qualquer...



...E é convivendo com os diferentes que nos tornamos cada dia mais iguais.


Para mim todos os outros são rodas gigantes, eu sou uma criança perdida no parque. Elas são tão grandes, mas tem medos. Mas mais do que medo, elas tem vida, pois descem e sobem várias vezes, vêem o céu e o chão de perto e ouvem os gritos e o silêncio de quem as adimira e as teme.

No primeiro dia perdido foi tudo bem. As rodas gigantes falam e falam, mas falam com propriedade de quem vive lá em cima e aqui em baixo. Fazem a ponte entre nós e Deus. O Deus da verdade, se não o da verdade, o da tentativa.

Seremos rodas gigantes no dia em que descobrirmos como são valiosos nosso gritos e nossos medos. Pois aí sim nos daremos conta do valor do algodão doce em nossas vidas.

Para quem quer se tornar uma roda gigante o primeiro passo é andar sobre a perna-de-pau, no inicio as menores, depois as mais altas possíveis. E quando tivermos equilibrio suficiente para andar com a cabeça erguida por entre os palhaços, aí sim, aí sim estaremos prontos para sermos rodas gigantes.

Mas como no parque tudo acaba em festa, no fim da noite é distribuido pão doce e o circo começa. Ficaremos todos estáticos, rindo e comemorando, devorando insaciavelmente nossa maça do amor. Aqueles que não gosterem de pão e circo, sugiro que embarquem nas rodas gigantes, pois elas nos levam pra mais perto da verdade, ou pelo menos da tentativa...


...E é convivendo com os diferentes que nos tornamos cada dia mais iguais.