Fuçar

domingo, 15 de julho de 2007

A cerejeira.


...ela parece ter sido feita por Deus. Mas Deus sabe qual a sua origem?!

Por baixo da casca dura e grossa ela é simples, e tem medo. Os galhos grandes e tortuosos, que apesar da casca dura são confortáveis e bondosos, me dão sombra e me protegem do vento.

A psicodelia combinativa das suas cores é impressionante, o rosa está para o verde assim como o amor está para o ódio e o ódio para o amor. Um contraste conjugal perfeito.

Tudo nela dá a sensação de liberdade, e ainda assim ela continua lá, pregada no chão.

Todos sem excessão a adoram e ela retribui. E não importa o quão ridícula seja a dança que lhe é oferecida ela vai sempre sorrir, porque a oferenda mais importante para ela é a felicidade.

Tudo vai bem. Só que ela não fala.

Seus movimentos falam por si. Mas eu não sei ler seus movimentos, e por isso ela não me diz quais são seus reais sentimentos.

E mesmo assim ela me ensina, e eu aprendo.


E a cada dia, e a cada folha que cai, eu descubro em sua nudez todo o sentido de estar e de ser... Livre.!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Enquanto isso em um parque qualquer...



...E é convivendo com os diferentes que nos tornamos cada dia mais iguais.


Para mim todos os outros são rodas gigantes, eu sou uma criança perdida no parque. Elas são tão grandes, mas tem medos. Mas mais do que medo, elas tem vida, pois descem e sobem várias vezes, vêem o céu e o chão de perto e ouvem os gritos e o silêncio de quem as adimira e as teme.

No primeiro dia perdido foi tudo bem. As rodas gigantes falam e falam, mas falam com propriedade de quem vive lá em cima e aqui em baixo. Fazem a ponte entre nós e Deus. O Deus da verdade, se não o da verdade, o da tentativa.

Seremos rodas gigantes no dia em que descobrirmos como são valiosos nosso gritos e nossos medos. Pois aí sim nos daremos conta do valor do algodão doce em nossas vidas.

Para quem quer se tornar uma roda gigante o primeiro passo é andar sobre a perna-de-pau, no inicio as menores, depois as mais altas possíveis. E quando tivermos equilibrio suficiente para andar com a cabeça erguida por entre os palhaços, aí sim, aí sim estaremos prontos para sermos rodas gigantes.

Mas como no parque tudo acaba em festa, no fim da noite é distribuido pão doce e o circo começa. Ficaremos todos estáticos, rindo e comemorando, devorando insaciavelmente nossa maça do amor. Aqueles que não gosterem de pão e circo, sugiro que embarquem nas rodas gigantes, pois elas nos levam pra mais perto da verdade, ou pelo menos da tentativa...


...E é convivendo com os diferentes que nos tornamos cada dia mais iguais.